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...Internacional do Doador de Sangue e o Hemocentro de Ribeirão Preto está promovendo a campanha durante toda a semana:
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1 - Porque devo doar?
Diariamente muitas pessoas sofrem acidentes ou estão internadas por diferentes doenças e necessitam de transfusões sangüíneas. O sangue humano é fracionado nos seus diversos componentes ou é processado nos seus diversos produtos e serve a vários pacientes e em muitas situações ele é imprescindível, não podendo ser substituído por outro produto. É um produto que não pode ser comprado e, portanto, depende da solidariedade das pessoas. Além disso, o sangue humano tem tipos diferentes e os hemocomponentes têm validade definida, sendo que num dia podemos tê-los e no outro, não.
2 - Quem pode doar?
Em princípio, podemos dizer que todos podemos nos candidatar a ser doadores de sangue. Entretanto, nossa aceitação depende de uma série de fatores que levam em conta o risco que aquela doação pode representar para a saúde do próprio candidato e para a saúde do indivíduo que vier a receber o sangue doado.
3 - O que acontece após a doação?
Depois da doação, o candidato é observado por algum tempo, recebe orientações para que evite esforços físicos naquele dia, para que se alimente bem, especialmente ingerindo líquidos, recebe um lanche e é liberado. Ele é ainda orientado para retornar em alguns dias para buscar os resultados dos exames que foram realizados.
4 - Qual o intervalo das doações?
O intervalo para homens é 60 dias e para mulheres é 90 dias. Entretanto, recomenda-se que o homem doe até 4 vezes por ano e a mulher até 3 vezes por ano.
5 - O que acontece com o sangue do doador?
O sangue doado, juntamente com as amostras colhidas para exame são encaminhados aos laboratórios. A bolsa de sangue colhida será fracionada nos hemocomponentes e ficará em quarentena aguardando os exames que serão realizados para as seguintes doenças:
- HIV;
- Hepatite B e Hepatite C;
- HTLV I,II;
- Chagas;
- Sífilis.
6 - Quem não pode doar o sangue?
Quando se realiza a triagem clínica para definir quem pode ou não pode doar sangue, sempre se leva em conta ambos os envolvidos, que são o doador e o receptor. Desta forma, não devem doar sangue todas aquelas pessoas que possam apresentar alguma conseqüência da doação para sua saúde como por exemplo: pessoas anêmicas, pessoas com doenças cardíacas, pessoas com peso inferior a 50 Kg, mulheres grávidas ou lactantes. Também estão impedidas de doar sangue, todas as pessoas cujo sangue possa provocar alguma conseqüência no receptor, como por exemplo, pessoas expostas a risco acrescido de terem doenças passíveis de transmissão sangüínea como Hepatites, AIDS, Sífilis (que possuam parceiros múltiplos, usuários de drogas endovenosas e seus parceiros sexuais), pessoas em uso de medicamentos que possam provocar conseqüências em fetos de mulheres grávidas como Isotretinoína (medicamento para acne), Etretinate e Acicretina (medicamento para Psoríase) e Finasterida (medicamento para doença de próstata ou para calvície), assim como qualquer pessoa que não esteja em sua perfeita condição de saúde. Todos os candidatos passarão por uma triagem clínica antes da doação para serem avaliadas suas condições.
7 - Doar sangue é seguro?
Sim, doar sangue é seguro. Não existe nenhum risco de contrair uma doença infecciosa doando sangue. Entretanto, existe um pequeno risco de que o doador possa sentir algum mal-estar durante ou logo após a doação especialmente nas primeiras vezes que ele doa, porém, os serviços se preocupam com isto e observam e cuidam para que os doadores nada sintam ou se sentirem, para que sejam bem assistidos.
Doe sangue, doe vida. Ligue no 0800-979 6049 e agende sua doação.

Segundo a Fundação Pró Sangue, 5.500 bolsas de sangue são utilizadas no Brasil por dia, mas apenas 1,5% da população brasileira doa sangue regularmente. Por isso, o Hemocentro de Ribeirão Preto convida você para ser um doador. O seu gesto vai ajudar muitas pessoas que precisam de sangue para continuar vivendo.
O sangue que você doar, o seu organismo irá repor em pouco tempo. A doação é um procedimento rápido e seguro, não há riscos. Todo o material utilizado é descartável e oferece total segurança.
Não falta sangue, faltam pessoas, falta você! Faça como os jovens da Igreja Adventistas que desde 2006 fazem a doação sistemática. Vida por Vidas é o projeto de doação de sangue que os jovens adventistas se mobilizam para transformar a vida de muitas pessoas, dando todo seu sangue pela salvação da humanidade.
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http://pegasus.fmrp.usp.br/projeto/index.htm
Para além da orelha existe um som, à extremidade do olhar um aspecto, às pontas dos dedos um objeto -
é para lá que eu vou. À ponta do lápis o traço.
Onde expira um pensamento está uma idéia, ao derradeiro hálito de alegria uma outra alegria,
à ponta da espada a magia - é para lá que eu vou.
Na ponta dos pés o salto. Parece a história de alguém que foi e não voltou - é para lá que eu vou.
Ou não vou? Vou, sim. E volto para ver como estão as coisas. Se continuam mágicas.
Realidade? Eu vos espero. E para lá que eu vou.
Na ponta da palavra está a palavra. Quero usar a palavra "tertúlia" e não sei aonde e quando.
À beira da tertúlia está a família.
À beira da família estou eu. À beira de eu estou mim.
É para mim que eu vou. E de mim saio para ver. Ver o quê? Ver o que existe.
Depois de morta é para a realidade que vou. Por enquanto é sonho. Sonho fatídico.
Mas depois - depois tudo é real. E a alma livre procura um canto para se acomodar.
Mim é um eu que anuncio. Não sei sobre o que estou falando. Estou falando de nada. Eu sou nada.
Depois de morta engrandecerei e me espalharei, e alguém dirá com amor meu nome.
É para o meu pobre nome que vou. E de lá volto para chamar o nome do ser amado e dos filhos.
Eles me responderão. Enfim terei uma resposta.
Que resposta? A do amor. Amor: eu vos amo tanto. Eu amo o amor. O amor é vermelho.
O ciúme é verde. Meus olhos são verdes. Mas são verdes tão escuros que na fotografia saem negros.
Meu segredo é ter os olhos verdes e ninguém saber.
À extremidade de mim estou eu. Eu, implorante, eu a que necessita, a que pede, a que chora, a que se lamenta.
Mas a que canta. A que diz palavras. Palavras ao vento?
Que importa, os ventos as trazem de novo e eu as possuo.
Eu à beira do vento. O morro dos ventos uivantes me chama. Vou, bruxa que sou. E me transmuto.
Oh, cachorro, cadê tua alma? Está à beira de teu corpo? Eu estou à beira de meu corpo. E feneço lentamente.
Que estou eu a dizer? Estou dizendo amor. E à beira do amor estamos nós.
Clarice Lispector


já pensando no feriado da outra sexta =) 
A capa de uma das edições da Revista da MTV traz a pergunta: Você abriria mão da sua inteligência para ser mais bonito? Li a reportagem com a esperança de encontrar uma resposta óbvia, mas nossos óbvios nunca batem com os dos outros. O óbvio que encontrei foi que, dos 2.359 brasileiros entre 15 e 30 anos pesquisados pelo Dossiê Universo Jovem, cerca de 60% responderam que pessoas bonitas têm mais oportunidades na vida, e, portanto, sim, topariam ficar um pouco mais burros se em troca ficassem um pouco mais belos.
Esta é uma obviedade que, em tese, se justifica: aparência conta muito no jogo da sedução e na conquista de um emprego. Todos tratam melhor os magros e lindos. Na escola, te imitam. Nas festas, te cercam. Nada mal. Marcia Tiburi, durante o programa Saia justa, disse para Luana Piovani que ela havia sido bem tratada pelo mundo em função da beleza, mas que a vida não é assim tão fácil para quem não nasce com tais atributos. Foi extremamente sincera, mesmo que a outra não tenha ficado muito feliz com a observação. Luanas enfrentam menos percalços do que as não tão formosas, porém tão talentosas quanto. Não é demérito ser bonita, não é pecado, ao contrário, é uma glória, uma bênção, e beleza e inteligência podem muito bem conviver em paz no mesmo corpo, há vários exemplos de gente linda e sabida. Mas tendo que optar entre uma coisa e outra, alto lá... melhor pensar direitinho.
A minha resposta óbvia a enquete seria: toda pessoa inteligente é bonita, não importa seu aspecto físico. Logo, não tem cabimento trocar neurônios por olhos azuis. É rara uma pessoa inteligente que não seja cativante. Por outro lado, conheço vários belos que só provocam bocejos. Há mais de 20 anos, quando ainda era publicitária, acompanhei a gravação de um comercial de tevê interpretado por um deus grego, o homem mais estonteante que havia visto. No final da gravação, ele me pediu carona. Eu, longe de ser uma Luana e desacostumada com estas generosidades cósmicas, vibrei.
Sabia que o rapaz morava num bairro distante, mas estava disposta a levá-lo até Pernambuco, se ele pedisse. Em três minutos de conversa dentro do carro, eu queria cortar os pulsos. Inventei um mal súbito, aleguei falta de combustível, sei lá, não lembro, só sei que acabei deixando-o num ponto de táxi e fui pra casa dormir.
Burrice é pior que um nariz torto, é pior que cabelo ruim, é a pior das cicatrizes. Inteligência, por sua vez, torna qualquer pessoa iluminada. Qualquer uma. Faça uma lista dos seres humanos que você mais admira: a maioria não é linda, se analisadas apenas pelo padrão estético. Mas, sendo inteligentes, ninguém lhes tira o carisma. Só não percebem isso aqueles que, não tendo mesmo muita massa cinzenta, topam a troca.
=) Martha Medeiros O fim do mundo em 2012
Os planetas, as estrelas, o calendário maia e, é
claro, uma superprodução de Hollywood reavivam a ideia aterrorizante
do apocalipse e levantam uma questão: por que continuamos a acreditar
em profecias finalistas apesar de todas elas terem fracassado redondamente?

André Petry, de Nova York
Divulgação
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APOCALIPSE POPULAR
Uma das cenas da catástrofe planetária no filme 2012: a profecia ganhou as ruas |
O escritor Patrick Geryl tem 54 anos, escreveu uma dezena de livros,
nunca se casou, não tem filhos e atualmente anda muito ocupado preparando-se
para o fim do mundo. Na semana passada, esteve em Sierra Nevada, no sul da Espanha,
acompanhando uma equipe de televisão do Canadá, numa vistoria
às habitações que estão sendo construídas
ali. São ocas de cimento capazes de resistir ao cataclismo que, acredita
Geryl, destruirá o planeta Terra no dia 21 de dezembro de 2012. "Queremos
um lugar a uns 2 000 metros acima do nível do mar", explica.
Ele e seu grupo pretendem levar 5 000 pessoas para um local que resistirá
aos horrores do apocalipse. Será o último dia do resto da humanidade,
acredita Geryl, um dia para o qual ele se prepara desde a adolescência,
quando, aos 14 anos, na histórica cidade belga de Antuérpia, começou
a se interessar pelo assunto lendo livros de astronomia. Ao voltar da Espanha,
Geryl ocupou-se em relacionar os itens que devem ser levados para o bunker antiapocalipse.
Na lista coletiva, havia 348, faltando ainda incluir os medicamentos. Na de
uso individual, 86.
Fotos Divulgação
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DA BÍBLIA PARA O LABORATÓRIO
Uma das cenas de Apocalypto, filme ambientado no mundo dos maias (à
esq.),
e o ator Nicolas Cage, em Presságio: depois da II Guerra,
a ideia do apocalipse
passou a ter duas fontes – a religião e a
ciência |
O ano de 2012 tornou-se o centro de gravidade do fim do mundo
por uma confluência de achados proféticos. Primeiro, surgiu a tese
de que a Terra será destruída com a volta do planeta Nibiru em
2012. Depois, veio à tona que o calendário dos maias, uma das
esplêndidas civilizações da América Central pré-colombiana,
acaba em 21 dezembro de 2012, sugerindo que se os maias, tão entendidos
em astronomia, encerraram as contas dos dias e das noites nessa data é
porque depois dela não haverá mais o que contar. Posteriormente,
apareceram os eternos intérpretes de Nostradamus e, em seguida, vieram
os especialistas em mirabolâncias geológicas e astronômicas
com um vasto cardápio de catástrofes: reversão do campo
magnético da Terra, mudança no eixo de rotação do
planeta, devastadora tempestade solar e derradeiro alinhamento planetário
em que a Terra ficará no centro da Via Láctea – tudo em 2012
ou em 21 de dezembro de 2012.
Divulgação
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CONFIANÇA NA CATÁSTROFE
Patrick Geryl, autor de três livros
sobre
o fim do mundo em 2012: ele não lida
com outra hipótese |
Com tantas sugestões, a profecia ganhou as ruas. No dia
13 de novembro, terá lugar a estreia mundial de 2012, uma superprodução
de Hollywood que conta a saga dos que tentam desesperadamente sobreviver à
catástrofe final. No site da Amazon, há 275 livros sobre 2012.
Nos Estados Unidos, já existem lojas vendendo produtos para o apocalipse.
Os itens mais comercializados são pastilhas purificadoras de água
e potes de magnésio, bons para acender o fogo. É sinal de que
os compradores estão preocupados com água e fogo, numa volta ao
tempo das cavernas. Na Universidade Cornell, que mantém um site sobre
curiosidades do público a respeito de astronomia, disparou o número
de perguntas sobre 2012. Há os que se divertem, pois não acreditam
na profecia. Entre os que acreditam, os sentimentos vão da tensa preocupação,
como é o caso de Patrick Geryl, autor de três livros sobre 2012,
todos publicados no Brasil, até o pavor incontrolável. O fim do
mundo é uma ideia que nos aterroriza – e, nesse formidável
paradoxo que somos nós, também pode ser a ideia que mais nos consola.
Por isso é que ela existe.
No inventário dos fracassos humanos, talvez não
haja aposta tão malsucedida quanto a de marcar data para o fim do mundo.
Falhou 100% das vezes, mas continua a se espalhar, resistindo ao tempo, à
razão e à ciência. As tentativas de explicar esse fenômeno
são uma viagem fascinante pela alma, pela psique, pelo cérebro
humano. Uma das explicações está no fato de que o nosso
cérebro é uma máquina programada para extrair sentido do
mundo. Assim, somos levados a atribuir ordem e significado às coisas,
mesmo onde tudo é casual e fortuito. As constelações no
céu, por exemplo, são uma criação mental para organizar
o caos estelar. Ao enxergarmos as constelações de Órion
ou Andrômeda, encontramos ordem e sentido. O dado complicador é
que a vida, no céu e na terra, deve muito mais às contingências
do acaso do que ao determinismo. O espermatozoide que fecundou o óvulo
que gerou Albert Einstein foi um produto do acaso, resultado de uma disputa
entre espermatozoides resolvida por milésimos de segundo. Assim como
aconteceu, poderia não ter acontecido.
Recuando no tempo, a própria humanidade, analisada do ponto
de vista científico, é fruto do acaso. Por um acidente, um peixe
pré-histórico desenvolveu barbatanas que, à imitação
de pernas ou patas, lhe permitiram enfrentar a gravidade da Terra e, assim,
por acaso, viabilizou o desenvolvimento de vertebrados fora da água.
Bilhões de anos depois, cá estamos nós, bípedes,
inteligentes, comendo sorvete de morango, descobrindo a estrela mais antiga
e nos deliciando com Elizabeth Taylor deslumbrante como Cleópatra. Tudo
por acaso. A preponderância do aleatório sobre o determinado pode
dar a sensação de desesperança, de que somos impotentes
diante de todas as coisas. Talvez nisso residam a beleza e a complexidade da
vida, mas o fato é que o cérebro está mais interessado
em ordem do que em belezas complexas. Por isso, quando não vê significado
nas coisas naturais, ele salta para o sobrenatural. "Nascemos com o cérebro
desenhado para encontrar sentido no mundo", diz o psicólogo Bruce
Hood, da Universidade de Bristol, na Inglaterra, autor de Supersense: Why
We Believe in the Unbelievable (Supersentido: Por que Acreditamos no Inacreditável).
"Esse desenho às vezes nos leva a acreditar em coisas que vão
além de qualquer explicação natural."
O achado de Hood foi descobrir que as crenças talvez não
sejam fruto nem da religião nem da cultura, mas uma expressão
de como o cérebro humano trabalha. É o que ele chama de "supersentido".
É o supersentido que nos leva a bater na madeira, dar valor afetivo a
um objeto ou conversar com Deus. A religião seria uma criação
mental através da qual o cérebro atende a sua necessidade por
sentido. O apocalipse, nesse caso, é uma saída brilhantemente
engenhosa. Explica duas questões que atormentam a humanidade desde sempre:
o significado da vida e a inevitabilidade da morte. Somos a única espécie
com consciência da própria morte e, no entanto, não sabemos
o significado da vida. Afinal, por que estamos aqui? A pergunta, em si, revela
nossa busca por sentido, devido à nossa dificuldade de conviver com a
possibilidade de que, talvez, não estejamos aqui por alguma razão
especial. O apocalipse é uma resposta. Está descrito nos seus
mínimos e horripilantes detalhes no Livro do Apocalipse, escrito pelo
evangelista João, por volta do ano 90 da era cristã, quando estava
preso, perseguido pelo Império Romano.
Fotos Corbis/Latinstock e AKG-Images/Electa/Latinstock
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PLANOS DIVINOS
O papa Gregório XIII (abaixo) e o afresco de Michelangelo na Capela
Sistina retratando
o Juízo Final: expressões do domínio da Igreja Católica sobre o destino e o ciclo do tempo |
O começo do fim do mundo, diz João, será
anunciado por sinais tenebrosos: um céu negro, uma lua cor de sangue,
estrelas desabando sobre a Terra e uma sucessão de desastres varrendo
o planeta na forma de terremotos, inundações, incêndios,
epidemias. O Anticristo então dominará a Terra por sete anos,
ao fim dos quais Jesus Cristo descerá dos céus com um exército
de santos e mártires – e vencerá Satã, a besta. Depois
de 1 000 anos acorrentado, Satã conseguirá se libertar e
forçará Jesus Cristo a travar uma segunda batalha, a terrível
batalha do Armagedom. Derrotado Satã, todos nós, vivos e mortos,
nos sentaremos no banco dos réus do tribunal divino. Os bons irão
para o paraíso celestial. Os maus arderão no fogo eterno. É
uma narrativa tão magicamente escatológica que Thomas Jefferson,
o terceiro presidente dos Estados Unidos, a chamou de "delírio de
um maníaco". Bernard Shaw, o grande teatrólogo irlandês,
disse que era o "inventário das visões de um drogado".
Delírio ou visões, o Livro do Apocalipse explica tudo. O professor
Ralph Piedmont, do Loyola College, em Maryland, especialista em psicologia da
religião, afirma: "O Apocalipse de João explica a morte,
ao informar que vamos ressuscitar, e dá sentido à vida, ao dizer
que é uma provação".
Subsidiariamente, o apocalipse atende a outra necessidade humana,
a de acreditar num mundo regido por uma ordem moral. Os historiadores atribuem
o surgimento da visão apocalíptica ao persa Zoroastro, ou Zaratustra,
que viveu uns 1 000, talvez 1 500 anos antes de Cristo. Ele foi
o primeiro a falar de uma batalha cósmica entre o bem e o mal, mais tarde
aproveitada pelos profetas Ezequiel, Daniel e, principalmente, João.
"Num mundo em que, com frequência, os bons sofrem e os maus prosperam,
a promessa de um julgamento moral é um consolo profundo", diz Michael
Barkun, professor de ciência política da Universidade de Syracuse,
que estuda a relação entre violência e religião.
Eis por que o fim do mundo aterroriza mas também pode nos consolar. Nem
sempre o apocalipse vem numa embalagem religiosa. A profecia de 2012 começou
com base em eventos astronômicos e calendários antigos. Só
depois recebeu a adesão de seitas espiritualistas e cristãs, mas
originalmente 2012 é, digamos, um fim do mundo pagão. Se não
é um fim com prêmio aos bons e punição aos maus,
então por que acreditamos em profecias que nunca dão certo?
A explicação começou a surgir nos anos 50,
quando o brilhante psicólogo americano Leon Festinger (1919-1989) resolveu
testar uma hipótese revolucionária: a de que, diante de uma profecia
fracassada, os fiéis não desistem de sua crença, mas, ao
contrário, se aferram ainda mais a ela. Festinger e seus colegas se infiltraram
numa seita do fim do mundo e descobriram exatamente o que imaginavam. O grupo
era formado por quinze pessoas e liderado por uma dona de casa de Michigan,
Marion Keech, que fora informada por extraterrestres de que o mundo acabaria
com uma inundação no dia 21 de dezembro – olha a data aí
de novo – de 1954. Antes da catástrofe final, Marion e seguidores
seriam resgatados pela nave-mãe e levados para um lugar seguro. Na data
e hora marcadas, eles se reuniram para esperar o resgate, e não apareceu
nave nenhuma. Passou uma hora, e nada. Duas horas, e nada. Eles estavam tensos
e preocupados, alguns começando a dar sinais de descrença naquilo
tudo, até que, quase cinco horas depois, Marion foi novamente contactada
pelos extraterrestres com uma novidade redentora: o grupo ali reunido, com o
poder de sua crença, espalhara tanta luz que Deus cancelara a destruição
do mundo. Os membros reagiram com entusiasmo. Haviam encontrado um meio de acreditar
que a profecia, afinal, estava correta.
O caso foi contado no livro When Prophecy Fails (Quando
a Profecia Falha) e se tornou um dos fundamentos do que veio a se chamar teoria
da dissonância cognitiva. É a inclinação que temos
para reduzir o profundo desconforto provocado por duas informações
conflitantes – no caso, a crença de que o mundo vai acabar e a evidência
incontornável de que o mundo não acabou. Há exemplos mais
rotineiros, como o sujeito que sabe que o cigarro pode matar e, no entanto,
fuma dois maços por dia. Tem-se uma "dissonância cognitiva",
que precisa ser resolvida: ou o sujeito para de fumar ou racionaliza que o cigarro,
no fundo, acalma, emagrece, seja o que for. Meio século depois, a tese
de Festinger será ainda válida para explicar a crença inabalável
em profecias finalistas? "É, ainda, a melhor explicação
psicológica", diz Daniel Gilbert, da Universidade Harvard, autor
de um trabalho pioneiro sobre como enxergamos o futuro – com lupa, diz
ele, sempre dando a sucessos ou fracassos importância muito maior do que
efetivamente terão quando (e se) acontecerem.
As profecias do apocalipse são um desastre como previsão
do futuro, mas excelentes como alegorias do presente. A coleção
de afrescos e pinturas clássicas que retratam o Juízo Final, como
a obra-prima de Michelangelo na Capela Sistina, reflete o temor do tribunal
divino e o domínio da Igreja Católica de então. Depois
da II Guerra, os filmes de Hollywood, grandes difusores da catástrofe
final, passaram a enfocar o fim do mundo como resultado de uma guerra nuclear
ou de um monstro deformado pela radioatividade. Estavam narrando as aflições
dos americanos com a bomba de Hiroshima e Nagasaki e a chegada da corrida armamentista
com a União Soviética. É o momento em que o apocalipse
começa a ter duas fontes – a religião e a ciência.
Nos anos 60, com as profundas transformações varrendo os EUA,
da Guerra do Vietnã à revolução sexual, do advento
do computador ao movimento dos direitos civis, dos Beatles a Woodstock, o apocalipse
mudou de lugar. "O livro da revelação deixou o gueto cristão
e entrou no coração da política americana e da cultura
popular", escreve Jonathan Kirsch em A History of the End of the World (Uma História do Fim do Mundo), um ótimo inventário do
apocalipse.
Fotos Araldo de Luca/Corbis/Latinstock e Masamoto Kuriya/Corbis/Latinstock
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CADA ERA TEM O SEU ANTICRISTO
Escultura
de Nero, imperador de Roma, corpos de judeus num campo de concentração
nazista e o terrorismo islâmico derrubando as torres de Nova York: a
ideia do apocalipse é um desastre como previsão do futuro, mas
excelente como alegoria do presente |
Desde os anos 50, cada década tem pelo menos uma dúzia
de filmes apocalípticos dignos de nota, de Godzilla a Apocalypto, de O Planeta dos Macacos a Matrix, de O Bebê de Rosemary a Presságio. Eles sempre narram algo do seu tempo. Há estudiosos
que acreditam que mesmo o Livro do Apocalipse teria sido uma resposta às
perseguições que os cristãos sofriam no Império
Romano – e a besta, o Anticristo, o Satã seriam Nero, o imperador
que tocou fogo em Roma. Como os apocalipses tomam a forma de sua época,
o Anticristo se atualiza. Na II Guerra, era Adolf Hitler. Hoje, é Osama
bin Laden. Isso é claro nos EUA, cuja condição de potência
acaba por difundir suas neuroses e seus achados para o mundo todo. O apocalipse
na cultura? Antes, eram os hippies com sua percepção extrassensorial
e drogas alucinógenas. Depois, no ano 2000, foi o tecnoapocalipse, na
forma do bug do milênio. O apocalipse na política? Antes, era o
Exército Vermelho. Agora, é o terrorismo islâmico. Como
disse Eric Hoffer (1902-1983), que passou a vida como estivador e filósofo:
"Movimentos de massa podem surgir e se espalhar sem a crença num
deus, mas nunca sem a crença num diabo".
Nenhuma das hipóteses do fim do mundo em 2012 mencionadas
nesta reportagem faz sentido. O planeta Nibiru nem existe. A civilização
maia, cujo auge se deu entre 300 e 900 da era cristã, tinha três
calendários: o divino, o civil e o de longa contagem, que termina em
2012. "Mas os maias nunca afirmaram que isso era o fim do mundo",
diz David Stuart, da Universidade do Texas, considerado um dos maiores especialistas
em epigrafia maia. Uma mudança no eixo de rotação da Terra
é impossível. "Nunca aconteceu e nunca acontecerá",
garante David Morrison, cientista da Nasa, agência espacial americana.
Reversão do campo magnético da Terra? Acontece de vez em quando,
de 400 000 em 400 000 anos, e não causa nenhum mal à
vida na Terra. Tempestade solar? Também acontece e em nada nos afeta.
Derradeiro alinhamento planetário em que a Terra ficará no centro
da galáxia? Não haverá nenhum alinhamento planetário
em 2012, e, bem, quem souber onde fica "o centro" da nossa galáxia
ganha uma viagem interplanetária. Mas Patrick Geryl, que se prepara para
o fim do mundo, está certo de que tudo termina em 2012. E se não
terminar? Geryl pensa, olha para o alto e responde: "Não existe
essa hipótese". Ele e seu grupo encontrarão uma boa explicação
quando o dia raiar em 22 de dezembro de 2012. Afinal, é preciso se preparar
para um novo fim do mundo.
Os dez dias que sumiram
O calendário maia, dizem os apocalípticos, prevê
o fim do mundo para o dia 21 de dezembro de 2012. Calendários, no entanto,
são excelentes instrumentos para orientar sobre o compromisso da próxima
quarta-feira, mas são um embuste para prever o futuro. As diversas civilizações
– não só os maias, mas os egípcios, os chineses –
criaram os próprios calendários, uns com base no Sol, outros com
base na Lua, uns mais longos, outros mais curtos, mas todos sempre foram expressão
da inclinação humana de atribuir ordem ao caos. Com o calendário,
criamos a sensação de ordenar os dias, os meses e os anos num
sistema cronológico racional e matematicamente preciso. Só que
a natureza não é assim. Num delicioso livro lançado às
vésperas do ano 2000, O Milênio em Questão, no qual se baseia
este texto, o grande paleontólogo americano Stephen Jay Gould (1941-2002)
escreveu: "A natureza, aparentemente, pode fazer um esplêndido hexágono,
mas não um ano com um belo número par de dias ou rotações
lunares". E, com o humor que lhe era peculiar, acrescentou: "A natureza
se recusa teimosamente a trabalhar com relações numéricas
simples justamente naquilo em que sua regularidade seria mais útil para
nós".
Ou seja: os ciclos naturais dos dias, meses e anos não
são redondos, pares perfeitos. São frações, números
quebrados, e aí começa um problemão. Um ano – tempo
que a Terra leva para dar uma volta completa em torno do Sol – não
dura 365 dias. Dura 365 dias e algumas horas. Para facilitar a conta, arbitramos
que um ano dura 365 dias e seis horas, ou um quarto de dia. Mas, como não
podemos ter um quarto de dia, a cada quatro anos temos o ano bissexto, com 366
dias, o que recoloca nosso calendário em sintonia com o ano solar. Porém,
a natureza, na sua magistral indiferença para com nossos números
inteiros, na realidade não faz um ano de 365 dias e seis horas. São
365 dias e 5 horas, 48 minutos e 45,97 segundos! Isso quer dizer que o acréscimo
do 366° dia cobre o descompasso ocorrido em cada quatro anos, mas imprecisamente.
Como o tal descompasso não era de exatas 24 horas – era de 23 horas,
15 minutos e 3,88 segundos –, o ajuste feito pelo ano bissexto ainda nos
deixa com um pequeno atraso em relação à natureza: um atraso
de 44 minutos e 56,12 segundos a cada quatro anos. É pequeno, mas aumenta
com o tempo. Em vinte anos, o atraso soma quase quatro horas. É tolerável.
Em 100 anos, passa de dezoito horas. Começa a complicar. À medida
que vai avançando, passa a embaralhar as estações do ano,
a época certa para plantar, para colher, para pescar. Vira um, digamos,
apocalipse.
Em 1582, o calendário da época, que vinha desde
os tempos do Império Romano, já acumulava um atraso de dez dias
em relação ao ano solar. Era demais, inadmissível. O papa
Gregório XIII convocou então uma comissão de matemáticos
para dar uma solução ao problema. Chegou-se a uma saída
formidável. Com seu poder incontrastável sobre o destino da humanidade
e do universo, o papa decretou o sumiço dos dez dias. Simples assim.
Riscou fora. A humanidade foi dormir em 4 de outubro e acordou em 15 de outubro.
O período de 5 a 14 de outubro de 1582 não existiu, jogando algumas
dúvidas para as calendas gregas. O que aconteceu com quem fazia aniversário
no período suprimido? E quem tinha conta para pagar num dia que sumiu?
Pagou juros? Queixou-se ao papa? Resolvida a diferença de dez dias, a
comissão achou outras soluções criativas. Para evitar que
o descompasso dos anos bissextos voltasse a se alargar a longo prazo, estabeleceu
que a cada século múltiplo de 100 – 1800, 1900, 2000, por
exemplo – não haveria ano bissexto. Excelente. Mas a retirada do
366° dia seria provisoriamente excelente porque criaria um desequilíbrio
lá adiante. Então, inventou-se outra compensação:
de quatro em quatro séculos, o ano bissexto volta.
Parece confuso, mas é assim que funciona até hoje:
de 100 em 100 anos, cai o ano bissexto; de 400 em 400, reinstala-se o ano bissexto.
Com esses avanços e recuos, somas e diminuições, nosso
calendário consegue dançar num movimento parecido com o balé
irregular dos ciclos naturais. (Não é idêntico porque o
calendário gregoriano ainda se distancia do ano solar em 25,96 segundos.
É irrisório, leva mais ou menos 2 800 anos para chegar a
um dia inteiro, mas perfeito é que não é.) Diante de tantos
ajustes, a velha e boa folhinha de parede é um medidor preciso para o
compromisso de quarta-feira, mas, com suas imprecisões em relação
aos eventos astronômicos, não é exatamente boa para embasar
previsões futuras.
Para fugir das confusões do ano solar, há quem prefira
as previsões com base no mês lunar – tempo que a Lua leva
para dar uma volta completa em torno da Terra. Na verdade, não resolve
nada. Apenas se troca de problema. Para facilitar nossos cálculos, arbitramos
que a Lua leva 29 dias e meio para dar a volta na Terra. Mas, na realidade,
a Lua leva, precisamente, 29,53 dias – de novo, a caprichosa fração
da natureza. Assim, se um ano tem doze meses e cada mês corresponde a
uma lunação, a conclusão matemática é que
um ano tem doze lunações. Era para ser, mas não é.
As doze lunações, indiferentes à ordem humana, não
levam 365 dias para se realizar, mas somente 354 dias, uma debochada diferença
de onze dias em relação ao ano solar...! Por isso, é preciso
que... Bem, diga-se apenas que é preciso recorrer à inventividade
humana para conciliar o calendário e o universo. Fica claro que qualquer
profecia anunciada com base em calendários, solares ou lunares, maias
ou gregorianos, é mais ou menos uma brincadeira, pois nossas fórmulas
numéricas, tão regulares e ordenadas, não traduzem a exata
natureza dos eventos astronômicos, tão caóticos e irregulares.
É quase como querer tirar a raiz quadrada do mar.
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Edição da revista Veja desta semana (n°
2137 - 4 de novembro de 2009)

tem gente q cre em cada bobeira...
O estudo das enfermidades mentais, objeto da psiquiatria, é assunto muito complexo. Só com muitos anos de pesquisa e dedicação se poderia discorrer seriamente sobre o tema. Diagnosticar um psicótico, um esquizofrênico, um neurótico ou um psicopata apenas por conhecimento de causa, sem o auxílio da ciência, seria loucura. Partindo da premissa, porém, de que "de médico e de louco todo mundo tem um pouco", o objeto deste documento é discutir as semelhanças e diferenças entre os quatro tipos básicos de cidadão: os doidos, os loucos, os birutas e os malucos. Vale registrar, para evitar futuras complicações familiares ou jurídicas, que as teses aqui levantadas não pretendem ter valor científico, são apenas frutos da observação detalhada de uma grande amostra do ser humano, todo mundo por aí. Essa investigação baseou-se em minuciosa análise dos comportamentos do indivíduo; em outras palavras, na mania (obcecação resultante de desejo imoderado) de ficar reparando no povo.A participação, ainda que involuntária, de maridos, mulheres, casais de namorados, adolescentes, mães, bêbados e políticos foi de enorme importância para a elaboração deste modesto ensaio.A questão aqui trata da diagnose das esquisitices dos seres humanos normais, sem a intenção de criticar, justificar, teorizar ou se solidarizar com os exemplos citados.Também não é nosso objetivo apontar soluções, ofender ninguém nem enlouquecer ainda mais as criaturas. Restringimo-nos a organizar resumidamente a nossa espécie.
1 – O louco.Indivíduo capaz de cometer loucuras como adentrar a casa da namorada/namorado às 4 da manhã cantando Roberto Carlos, desafiar assaltos e engarrafamentos para comprar determinado tipo de torta de limão que só se encontra do outro lado da cidade, acreditar que seu pedido será realizado se o próximo carro que passar for vermelho, mesmo que esse pedido seja um aumento de salário. A mente dos loucos funciona loucamente sem parar – um pensamento puxa outro, que puxa outro, que puxa outro –, tornando-se difícil manter uma linha lógica de raciocínio!...o que é que eu estava dizendo mesmo? Ah, eu estava falando dos loucos, agora vou passar para os malucos.
2 – O maluco. Tipo de louco com fortes inclinações para artes plásticas, filosofia, teatro, física nuclear e delírios de qualquer natureza. Maluco geralmente gosta de bar, de fumaça, de incenso, de pôr-do-sol, de localizar as Três Marias no cinturão da constelação de Órion, de questionar, por exemplo, "Se a levada do bongô fosse tum-tum-tum, em vez de tum, não dava um som mais maneiro?" ou "Já pensou se o dia andasse pra trás, pra começar de noite e terminar de manhãzinha?", e de jogar conversa fora, qualquer uma serve, só para passar o tempo, sem nem perceber que está tomando o tempo dos outros com besteira, opa, percebi.
3 – O doido. Como o doido geralmente está doidinho, torna-se fácil identificá-lo. Existem doidos para casar, doidos para separar, doidos para que chegue logo a sexta-feira, doidos por futebol, por internet, por sexo, por sucesso, por aspargos ou por qualquer coisa pela qual eles possam ficar doidos. É comum o portador da doidice não conseguir identificar por que está doido, o que provoca enorme ansiedade e faz o pobre do doido ficar doido para arranjar um motivo qualquer para ficar doido sossegado.
4 – O biruta. Birutas apresentam variados impulsos de caráter lúdico, tais como: atravessar a rua dançando mambo, imitar um urubu-rei em cima do telhado, fingir que é guarda de trânsito, provocar tropeções, passar trotes, dar sustos, amarrar o rabo do gato ou fazer verso.Foram constatados ainda vários casos de associações.Existem loucos malucos. Ou malucos muito doidos. Ou doidos meio birutas. Ou birutas, completamente loucos, que ficaram irremediavelmente doidos por qualquer maluquice. Esse é o caso daqueles que prometeram escrever uma crônica e não conseguiram.

13/10/09 - 08h42 - Atualizado em 13/10/09 - 10h27
Invasão verde-amarela: brasileiros vão ao Centenário secar a Argentina
Corintianos, palmeirenses, são-paulinos e colorados: todos juntos na torcida pelo Uruguai nesta quarta-feira, em Montevidéu
Alexandre Alliatti Direto de Montevidéu
Caros uruguaios, vocês não estão sozinhos. Nesta quarta-feira, quando a bola rolar no Centenário para um dos jogos mais importantes da década, vai ter muito brasileiro aumentando aquela voz em uníssono que sairá das arquibancadas para tentar empurrar a seleção celeste rumo à vitória, no caminho da classificação para a Copa do Mundo, na direção de um triunfo que, quem sabe, deixará a Argentina fora do Mundial. Eles são corintianos, palmeirenses, são-paulinos, colorados: pouco importa. Nesta quarta, estarão no Centenário torcendo pelo mesmo lado, vibrando pelo Uruguai – e, de certa forma, também pelo Brasil.
Torcida brasileira em Montevidéu: grupo está a trabalho na capital uruguaia para desenvolver software
A turma foi encontrada pela reportagem do GLOBOESPORTE.COM em um hotel do bairro de Punta Carretas, em Montevidéu. Eles são de São Paulo e estão na capital uruguaia a trabalho, com o objetivo de desenvolver um software. O grupo é de 50 pessoas, das quais 20 brasileiros que já viajaram matutando a ideia de ir ao jogo. Depois da rodada do fim de semana, com a dramaticidade que ganhou a partida, o interesse virou obsessão. Eles logo trataram de comprar ingressos. Cada um pagou 500 pesos uruguaios, cerca de R$ 50,00, para ter o direito de estar no estádio ao lado dos uruguaios, na mais completa secação aos argentinos.
Secação mesmo. Para eles, o desejo de ver a Argentina fora do Mundial é o que mais vale. Por algumas horas, serão todos uruguaios.
- Vou secar a Argentina como se fosse o Corinthians. Todo brasileiro vai ser uruguaio desde pequeno na quarta-feira – disse o palmeirense Deivid Arruda, 22 anos.
Para os são-paulinos, o jogo tem um sabor extra. Com a camisa celeste, está Lugano, zagueiro de excelente passagem pelo Morumbi.
- Ele é o melhor zagueiro do mundo. Vai quebrar o Messi no meio – avisou o tricolor Marcelo Eiji, 21 anos.
- Vai ter três gols dele – exagerou o também são-paulino Samuel Noronha, de 27. O grupo está na última das três semanas de estadia em Montevidéu. No sábado, vai de volta para casa com as lembranças de trabalho e diversão em terras uruguaias e uma certeza: aconteça o que acontecer, poderá dizer que teve o privilégio de ver uma partida absolutamente histórica.
Afinal, é o destino de dois gigantes em jogo. O vencedor da partida irá à Copa. Se houver empate, a Argentina estará garantida pelo menos na repescagem e só não vai direto para o Mundial se o Equador fizer seis gols de diferença na partida contra o Chile, em Santiago. Vitória uruguaia pode eliminar o time de Diego Armando Maradona. Basta que o Equador também vença, seja qual for o placar.
Imagina se eu deixaria passar em branco uma notícia dessas!! Pedro, vc tá internacional, rs...pena q nosso Palmeiras tá afundando 
Link: http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/Eliminatorias/0,,MUL1338860-9833,00-INVASAO+VERDEAMARELA+BRASILEIROS+VAO+AO+CENTENARIO+SECAR+A+ARGENTINA.html
Hj meu dia começou as 4h30, problemas...a vida seria monótona sem eles. Não vejo a hora de por as patinhas de molho na Pousada e esquecer que trabalho existe.
Bom final de semana
"As pessoas acham que alma gêmea é o encaixe perfeito, mas a verdadeira alma gêmea é um espelho, a pessoa que mostra tudo que está prendendo você, a pessoa que chama atenção para você mesmo para que você possa mudar sua vida. Uma verdadeira alma gêmea é provavelmente a pessoa mais importante que você vai conhecer, porque elas derrubam suas paredes e te acordam com um tapa. Mas viver com uma alma gêmea para sempre? Não. Dói demais. As almas gêmeas só entram na sua vida para revelar a você uma outra camada de você mesmo, e depois vão embora".
Feliz semana!
Ande por Nova York e repare no pessoal que corre no Central Park. Você deverá ver gente usando uma sapatilha esquisita, de design um tanto extravagante ( digamos assim ). É a Vibram FiveFingers, uma espécie de luva para os pés de quem gosta de correr descalço. Descalço? É. O pé no chão é o novo queridinho de muitos corredores - e de muitos cientistas também.
Em julho, pesquisadores de universidades da Bélgica e da inglaterra concluiram que pessoas que nunca calçaram sapato na vida ( sim, existe gente assim, na India ) são menos afetadas pelo impacto das passadas no solo. Além disso, nunca apareceu comprovação definitiva dos benefícios daqueles amortecedores presentes em tênis famoso. Na verdade, o que apareceu foi cientista dizendo o contrário: que quão mais caro os tênis, mais lesões eles causam ( veja comparativo mais abaixo ). É por isso que o pessoal tem aderido ao pé no chão. Ou quase. Para não se ferir, a saída é proteger os pés com calçados que reproduzem nosso passo natural, como a FiveFingers.
Comparativo:

COM TÊNIS Quando corremos calçados, tocamos o solo primeiro com o calcanhar. A sola reta impede que o pé impulsione o passo - o trabalho fica com a perna. desse jeito, até 80% dos corredores sofrem pelo menos uma lesão por ano.

DESCALÇO O homem correu assim por milhares de anos. O meio do pé chega ao solo antes do calcanhar. A sola se espalha no chão, e os dedos dão aquele empurrão. A passada fica curtinha e os joelhos se dobram levemente.
Aí está ele. Bem feinho, mas o que é funcional, não precisa ser bonito, certo?

(materia retirada do Blog da Pukka)
ótima semana!

Pelo o que me diz respeito Eu sou feita de dúvidas O que é torto, o que é direito Diante da vida O que é tido como certo, duvido E não minto pra mim Vou montada no meu medo E mesmo que eu caia Sou cobaia de mim mesma No amor e na raiva Vira e mexe me complico Reciclo, tô farta, tô forte, tô viva E só morro no fim E pra quem anda nos trilhos cuidado com o trem Eu por mim já descarrilho E não atendo a ninguém Só me rendo pelo brilho de quem vai fundo E mergulha com tudo Pra dentro de si Lá do alto do telhado pula quem quiser Só o gato que é gaiato Cai de pé...
deixe estar..........
Tudo o que move é sagrado E remove as montanhas Com todo o cuidado, meu amor. Enquanto a chama arder, Todo dia te ver passar, Tudo viver ao teu lado Com o arco da promessa No azul pintado pra durar.
No inverno te proteger, No verão sair pra pescar, No outono te conhecer, Primavera poder gostar No destino que se cumpriu De sentir teu calor e ser todo, Todo dia é de viver Para ser o que for e ser tudo.
Sim, todo amor é sagrado É o fruto do trabalho É mais que sagrado, meu amor. A massa que faz o pão Vale a luz do teu suor Lembra que o sono é sagrado E se alimenta de horizontes O tempo acordado de viver.
Abelha fazendo o mel Vale o tempo que não voou A estrela caiu do céu O pedido que se pensou No destino que se cumpriu De sentir teu calor e ser todo Todo dia é de viver Para ser o que for e ser tudo Para ser o que for... Pra viver...
(Amor de Índio - Beto Guedes)

Envio esta carta porque nunca mais quero você na minha frente. E dessa vez falo sério. Nunca mais quero ouvir a sua voz, mesmo que seja se derramando em desculpas. Nunca mais quero ver a sua cara, nem que seja se debulhando em lágrimas arrependidas. Quero que você suma do meu contato, igual a um vírus ao qual já estou imune. A verdade é que me enchi. De você, de nós, da nossa situação sem pé nem cabeça. Não tem sentido continuarmos dessa maneira. Eu, nessa constante agonia, o tempo todo imaginando como você vai estar. E você, numas horas doce, noutras me tratando como lixo. Não sou lixo. Tampouco quero a doçura dos culpados, artificial como aspartame. Fico pensando como chegamos a esse ponto. Como nos permitimos deixar nosso amor acabar nesse estado, vendido e desconfiado. Não quero mais descobrir coisas sobre você, por piores ou melhores que possam ser. Não quero mais nada que exista no mundo por sua interferência. Não quero mais rastros de você no meu banheiro. Assim, chega. Chega de brigas, de berros, de chutes nos móveis. Chega de climas, de choros, de silêncios abismais. Para quê, me diz? O que, afinal, eu ganho com isso? A companhia de uma pessoa amarga, que já nem quer mais estar ali, ao meu lado, mas em outro lugar? O tédio a dois - essa é a minha parte no negócio? Sinceramente, abro mão. Vou atrás de um outro jeito de viver a minha vida, já que em qualquer situação diferente estarei lucrando. Mas antes faço questão de te dizer três coisas. Primeira: você não é tão interessante quanto pensa. Não mesmo. Tive bem mais decepções do que surpresas durante o tempo em que estivemos juntos. Segunda: não vou sentir falta do teu corpo. Já tive melhores, posso ter novamente, provavelmente terei. Possivelmente ainda esta semana. Terceira: fiquei com um certo nojo de você. Não sei por quê, mas sua lembrança, hoje, me dá asco. Quando eu quiser dar uma emagrecida, vou voltar a pensar em você por uns dias. Bom, era isso. Espero que esta carta consiga levantar você do estado deplorável em que se encontra. Mentira. Não espero nenhum efeito desta carta em você, porque aí, veria-me torcendo pela sua morte. Por remorso. E como já disse e repito, para deixar o mais claro possível, nunca mais quero saber de você. Se, agora isso ainda me causa alguma tristeza, tudo bem. Não se expurga um câncer sem matar células inocentes.
Adeus, graças a Deus.
P.S.: esta não é mais uma dessas cartas-desabafo. P.S. do P.S.: esta é uma carta-desabafo-quase-música-de-Adriana-Calcanhoto
Fernanda tem uma história de vida bem interessante, é a típica zebra: tinha dislexia e professor algum dava a mínima por suas dificuldades, pensava até em suícido qdo adolescente, pois se sentia incompreendida. Isso fez com que desistisse de estudar, concluiu o 2o. grau cursando supletivo. Dedicou-se aos livros como forma de aperfeiçoamento e distração e através da leitura criou contos que passava pro papel qdo fazia a travessia Rio - Baía de Guanabara. De lá prá cá foi uma trajetória espantosa de sucesso, publicou 08 livros, 07 roteiros (entre eles Os Normais - série exibida na Globo e que originou seus dois filmes), escreve crônicas para a revista Cláudia, é apresentadora do programa Irritando Fernanda Young no GNT e fechou com a Playboy este mes, onde alegou 10 motivos para posar nua: 1) Salvar o erotismo das mãos da breguice. 2) Não devo nada a ninguém. 3) Em alguns lugares do mundo, mulheres ainda são obrigadas a tampar seus corpos. 4) Vingança pura e simples. 5) Nos meus livros, eu me exponho mil vezes mais 6) Vou fazer 40 anos ano que vem. 7) Irritar a minha mãe. 8) Estou me lixando para o que os idiotas vão achar. 9) É a primeira vez na história que a coelhinha da Playboy tem 8 romances publicados. 10) Não existem ex-BBBs suficientes (aleluia).
bj e bom final de semana!
Você é os brinquedos que brincou, as gírias que usava, você é os nervos a flor da pele no vestibular, os segredos que guardou, você é sua praia preferida, Garopaba, Maresias, Ipanema, você é o renascido depois do acidente que escapou, aquele amor atordoado que viveu, a conversa séria que teve um dia com seu pai, você é o que você lembra. Você é a saudade que sente da sua mãe, o sonho desfeito quase no altar, a infância que você recorda, a dor de não ter dado certo, de não ter falado na hora, você é aquilo que foi amputado no passado, a emoção de um trecho de livro, a cena de rua que lhe arrancou lágrimas, você é o que você chora. Você é o abraço inesperado, a força dada para o amigo que precisa, você é o pelo do braço que eriça, a sensibilidade que grita, o carinho que permuta, você é as palavras ditas para ajudar, os gritos destrancados da garganta, os pedaços que junta, você é o orgasmo, a gargalhada, o beijo, você é o que você desnuda. Você é a raiva de não ter alcançado, a impotência de não conseguir mudar, você é o desprezo pelo o que os outros mentem, o desapontamento com o governo, o ódio que tudo isso dá, você é aquele que rema, que cansado não desiste, você é a indignação com o lixo jogado do carro. Você é aquilo que reinvidica, o que consegue gerar através da sua verdade e da sua luta, você é os direitos que tem, os deveres que se obriga, você é a estrada por onde corre atrás, serpenteia, atalha, busca, você é o que você pleiteia. Você não é só o que come e o que veste. Você é o que você requer, recruta, rabisca, traga, goza e lê. Você é o que ninguém vê.
Invadiram minha privacidade na web, invadiram meu computador...que atitude linda para um ser humano não é?? Digna de autuação do IBAMA. Meus amigos há muito tempo foram avisados q eu não podia mais conversar via msn e agora tenho evitado + ainda utilizar sites e chats. Como a gente se engana com certas pessoas...ou melhor, como certas pessoas nos enganam 
Chego lá aonde? É o que eu sempre me pergunto. Lá é para a esquerda, é para a direita, lá é longe? Lá faz frio? Lá tem muita gente?
Não. Lá é um lugar quase deserto. Aproximando-se pela estrada, que é estreita, mal iluminada e cheia de buracos, você avista a placa "Bem-vindo a Lá". Chegando lá, você descobre que não era nada do que você imaginava, que as fotos que o agente de viagem lhe deu foram retocadas e que há pouca coisa para se fazer à noite.
Você sonhou muito em chegar lá. Suas primeiras recordações da infância são da voz do seu pai dizendo "este garoto ainda vai chegar lá". Você estudou para isso. Você trabalhou feito um condenado, você nunca deu dois passos na vida sem que o objetivo fosse chegar lá. Ai você chega e descobre que lá é uma abstração.
Lá nunca é aqui. Você pensa que chegou lá e ainda está aqui. Você bem que tenta reverter a situação, iludindo-se ao ponto de chegada: "Pessoal, estou orgulhoso de ter chegado até aqui". As pessoas olham para você com uma expressão desconfiada no rosto. Chegar até aqui? Mas aqui nós também estamos, grande coisa. Quero ver você chegar lá.
Lá pode ser uma casa num condomínio fechado. Lá pode ser um cargo de confiança. Lá pode ser dois filhos saudáveis. Lá é o seu desejo de consumo ou sua realização pessoal. Um lugar que todo mundo quer alcançar. Uns chegam lá. Mas, chegando, descobrem que não é lá que gostariam de se instalar. Lá é a morte dos seus sonhos.
Você chegou lá como prefeito e descobre que queria ser governador. Você chegou lá casado e descobre que quer recuperar a sua liberdade. Você chegou lá cheio de dinheiro e descobre que não tem tempo para aproveitá-lo Você chegou lá no seu peso ideal, e agora? Agora é preciso ir até lá onde você vai aprender a ser feliz sem refrigerante.
Chegando lá, descobre-se que lá sempre fica em outro lugar: adiante.
Inicio o álbum Retratos do Cotidiano, postando uma das crônicas do livro Non Stop: Crônicas do Cotidiano de Martha Medeiros; to aguardando o curso de fotografia da USP... eu chego lá :)
ótima semana prá todo mundo!

"...- Você sabe que de alguma maneira a coisa esteve ali, bem próxima.
Que você podia tê-la tocado.
Você podia tê-la apanhado.
No ar, que nem uma fruta.
Aí volta o soco.
E sem entender, você então pára e pergunta alguma coisa assim: mas de quem foi o erro?
O outro fez um movimento como se fosse falar, mas ele o deteve.
- Sei, sei.
Você vai perguntar: mas houve um erro?
Bem, não sei se a palavra exata é essa, erro.
Mas estava ali, tão completamente ali, você me entende?
No segundo seguinte, você ia tocá-la, você ia tê-la.
Era tão. Tão imediata. Tão agora. Tão já. E não era.
Meu Deus, não era.
Foi você que errou?
Foi você que não soube fazer o movimento correto?
O movimento perfeito, tinha que ser um movimento perfeito.
Talvez tenha demonstrado demasiada ansiedade, eu penso.
E a coisa se assustou, então.
Como se fosse uma fruta madura, à espera de ser colhida.
É assim que vejo ela, às vezes.
Como uma coisa parada, à espera de ser colhida por alguém que é exatamente você.
Não aconteceria com outro.
Depois, quando ela foge, penso que não, que não era uma fruta.
Que era um bicho, um bichinho desses ariscos.
Coelho, borboleta. Um rato.
É preciso cuidado com o arisco, senão ele foge.
É preciso aprender a se movimentar dentro do silêncio e do tempo.
Cada movimento em direção a ele é tão absolutamente lento que o tempo fica meio abolido.
Não há tempo. Um bicho arisco vive dentro de uma espécie de eternidade.
Duma ilusão de eternidade. Onde ele pode ficar parado para sempre, mastigando o eterno.
Para não assustá-lo, para tê-lo dentro dos seus dedos quando eles finalmente se fecharem, você também precisa estar dentro dessa ilusão do eterno..."

“Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os defeitos pode ser perigoso - nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro... há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. Quase quatro anos me transformaram muito.
Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma em boi. Assim fiquei eu...
Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões - cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também a minha força.
Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você -respeite sobretudo o que imagina ser ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de viver.
Juro por Deus que, se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia ia ser punida e iria para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não é ser punida por essa mesma mornidão.
Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige.
Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é desistir de si mesma."
( Clarice Lispector - carta enviada à irmã - Paris, 1947 )
Era uma menina que gostava de inventar uma explicação para cada coisa (Explicação é uma frase que se acha mais importante do que a palavra). As pessoas até se irritavam (Irritação é um alarme de carro que dispara bem no meio de seu peito) com aquela menina explicando o tempo todo o que a população inteira já sabia. Quando ela se dava conta, todo mundo tinha ido embora. Então ela ficava lá, explicando, sozinha:
Solidão é uma ilha com saudade de barco. Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue. Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo. Autorização é quando a coisa é tão importante que só dizer "eu deixo" é pouco. Pouco é menos da metade. Muito é quando os dedos da mão não são suficientes. Desespero são dez milhões de fogareiros acesos dentro de sua cabeça. Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego. Agonia é quando o maestro de você se perde completamente. Preocupação é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair de seu pensamento. Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa. Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára. Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido. Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista. Renúncia é um não que não queria ser ele. Sucesso é quando você faz o que sempre fez só que todo mundo percebe. Vaidade é um espelho onisciente, onipotente e onipresente. Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora. Orgulho é uma guarita entre você e o da frente. Ansiedade é quando sempre faltam 5 minutos para o que quer que seja. Indiferença é quando os minutos não se interessam por nada em especial. Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento. Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado. Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes. Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração. Alegria é um bloco de Carnaval que não liga se não é Fevereiro... Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma. Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros. Decepção é quando você risca em algo ou em alguém um xis preto ou vermelho. Desilusão é quando anoitece em você contra a vontade do dia. Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia. Perdão é quando o Natal acontece em outra ápoca do ano. Desculpa é uma frase que pretende ser um beijo. Excitação é quando os beijos estão desatinados pra sair de sua boca depressa. Desatino é um desataque de prudência. Prudência é um buraco de fechadura na porta do tempo. Lucidez é um acesso de loucura ao contrário. Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato. Emoção é um tango que ainda não foi feito. Ainda é quando a vontade está no meio do caminho. Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele. Desejo é uma boca com sede. Paixão é quando apesar da palavra "perigo" o desejo chega e entra. Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado. Não, Amor é um exagero... também não. É um "desadoro"... Uma batelada? Um enxame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego?
Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor ela não sabia explicar...
Adriana Falcão
Hj estava pensando sobre o Clero enquanto caminhava (eu penso de vez em qdo e as vezes viajo literalmente =). Foi o Clero q fez o favor de inventar o jargão "até que a morte os separe", essa idéia absurda de que só amamos uma vez na vida (pode até existir casos assim, + desconheço).
Bom, coincidentemente achei essa crônica da Martha que fala sobre a amputação do sobrenome da mulher depois do casamento. Imediatamente, veio o quê na minha cabeça?? Culpa do Clero, claro - acho que o Clero foi formado por um bando gays que morriam de inveja de nós, meninas - fizeram de Maria Madalena uma prostituta; reduziram a figura feminina a nada, nos tornando quase escravas da raça masculina; tbem apagaram nossa imagem da história - salvo raras exceções, como Joana D'Arc. Nos impuseram coisas absurdas e nos queimaram vivas na inquisição devido a nossa sensibilidade.
Graças a Deus muita coisa mudou de lá prá cá: o Clero perdeu a sua força, Amélia ultimamente é somente uma música e, pasmem: hj se o noivo quiser, pode até adotar o sobrenome da mulher qdo casar, não é incrível??
Já pensou em se chamar Beltrano Fulano da Silva Barbi?  ...très jolie!! Vamos a lei:
"Antes da modificação na lei, realizada pelo Estatuto da Mulher Casada e pela Lei do Divórcio, a mulher, além de adotar o sobrenome do marido, exercia no casamento o papel de companheira do marido e auxiliar nos encargos da família (em resumo: escrava). Isso não mais ocorre, pois atualmente denota-se que há igualdade nas decisões referentes à sociedade conjugal, que deverão ser tomadas de comum acordo entre marido e mulher. Qualquer dos nubentes, querendo, poderá acrescer ao seu, o sobrenome do outro (Art. 1565 § 1º do Novo Código Civil)"
Segue crônica de Martha Medeiros
Os sobrenomes
Desde que a Lei do Divórcio entrou em vigor no Brasil, em setembro de 1977, as mulheres não são mais obrigadas a trocar de sobrenome quando casam. Porém, 30 anos depois desta conquista, a maioria continua a adotar o sobrenome do marido, e só depois da lua-de-mel é que vão se dar conta de que trocar de identidade não é mais tão simples quanto foi para nossas avós. Antigamente mulher tinha dono. Primeiro o pai, depois o marido. Era comum obedecer ordens num mundo regido somente por homens, e herdar o sobrenome da família deles era uma convenção facilmente assimilável. Hoje muita coisa mudou, mas essa convenção permanece intacta na maior parte dos casamentos. Trocar o sobrenome continua sendo uma providência matrimonial tão automática quanto escolher a igreja ou comprar as alianças. Terminada a cerimônia, a noiva guarda um vestido e um nome que nunca mais serão usados, como se num passe de mágica ela houvesse se transformado em outra pessoa. Pense um pouco. Esposa não é um bem de consumo que se possa registrar em nome de alguém, como se faz com um apartamento ou um carro. Todo casal que planeje construir uma relação estável sabe que a fórmula "dois em um" está falida, e está partindo para a fórmula "um mais um". Cada um com sua individualidade, sua profissão, seus amigos de infância. O amor só ganha com isso. E, se por uma falta de sorte, o amor terminar, e com ele o casamento, o recomeço poderá ser doloroso, mas bem menos complicado. A burocracia para refazer RG, CIC e passaporte é desanimante. Nosso nome é um patrimônio, uma marca registrada. Qualquer empresa sabe que trocar o nome de um produto é arriscado: pode acarretar a perda da imagem e dos clientes já conquistados. Com as pessoas é a mesma coisa. Profissionais liberais carregam junto ao seu nome o prestígio alcançado em anos de carreira. Imagine o Dr. Ivo Pitanguy transformando-se em Ivo Menezes, assim, de um dia para o outro.
Você entregaria seu lindo narizinho na mão desse desconhecido? O sobrenome é uma parte da gente que não merece ser amputada. No mínimo, é um bom exemplo para os filhos, que já nascem sabendo que mamãe e papai têm a mesma importância. Democracia se aprende em casa. Tudo isso pode não ser romântico, mas é prático, sensato e até excitante. Seu marido estará indo para a cama todo dia com uma mulher que não é propriedade sua. Se você está para casar, seja bem exigente nos quesitos respeito, paixão, carinho, sexo, afinidades.
Mas não queira nada dele que já não seja seu.
 bj, boa semana!
"Ser mineiro é não dizer o que faz, nem o que vai fazer, é fingir que não sabe aquilo que sabe, é falar pouco e escutar muito, é passar por bobo e ser inteligente, é vender queijos e possuir bancos . Um bom mineiro não laça boi com imbira, não dá rasteira no vento, não pisa no escuro, não anda no molhado, não estica conversa com estranhos, só acredita na fumaça quando vê fogo, só arrisca quando tem certeza, não troca um pássaro na mão por dois voando. Ser mineiro é dizer "uai", é ser diferente, é ter marca registrada, é ter história. Ser mineiro é ter simplicidade e pureza, humildade e modéstia, coragem e bravura, fidalguia e elegância. Ser mineiro é ver o nascer do sol e o brilhar da lua, é ouvir o cantar dos pássaros e o mugir do gado, é sentir o despertar do tempo e o amanhecer da vida . Ser mineiro é ser religioso e conservador, é cultivar as letras e artes, é ser poeta e literato, é gostar de política, é amar a liberdade, é viver nas montanhas, é ter a vida interior, é ser gente " .
Fernando Sabino
Fernando Sabino era mineiro, amigo de Clarice Lispector (qualquer dia posto uma das cartas que escreveu a ela), Érico Veríssimo e Vinicius de Moraes. Faleceu vítima de câncer no fígado em 2004, às vésperas do 81º aniversário. A pedido, o epitáfio dele é o seguinte:
"Aqui jaz Fernando Sabino, que nasceu homem e morreu menino."
Vou prá Minas, bjs e bom final de semana!
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